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sexta-feira, 12 de junho de 2020

ATENÇÃO:

A partir do dia 22 de junho iniciam-se as aulas remotas na escola Emílio Meyer. Nesse primeiro momento, somente para o Ensino Médio e Curso Normal por meio da Plataforma Córtex.
O Ensino Fundamental continua com suas atividades no Blog do Emílio Meyer. 
Pedimos que repassem essa informação e acessem a plataforma Córtex para já começarem a se familiarizar.
Ressaltando que as atividades serão lançadas nesse momento para os alunos do Ensino Médio e do Curso Normal (magistério) a partir do dia 22 de junho de 2020. 
Abraços à comunidade Emiliana.




terça-feira, 2 de junho de 2020



Profª Susi Rodrigues - (29/05/2020)

Venho aqui propor uma reflexão sobre o tema: Educação e Infância - tempos de pandemia.
Assista o vídeo abaixo:

Imagine que amanhã retornaremos as atividades escolares.
Na tua opinião, como seriam nossas ações e que protocolos deveríamos seguir em relação aos seguintes aspectos:

1) Entrada e saída dos alunos e professores na escola:

a) pensando no curso normal do turno da noite;

b) pensando nas crianças e pais das escolas infantis e de ensino fundamental.

2) De que maneira faríamos a higienização dos espaços tais como: banheiros, refeitório, salas, mesas (sempre pensando no funcionamento noturno do curso normal, bem como no das escolas infantis).

3) Como seria o efetivo planejamento das atividades nas escolas infantis da prática pedagógica em relação ao distanciamento entre crianças, professores, atendentes e funcionários da EMEIs

Por favor, respondam a essas questões e enviem para o seguinte e-mail: susirdesa@gmail.com

Grande abraço!

Espero que todos estejam bem!

sábado, 30 de maio de 2020


Profxs: Cecília, Letícia, Rodrigo e Sariane - (29/05/2020)

"Queridas alunas estagiárias,

Nós, professores supervisores de estágio, queremos conhecer um pouco sobre como vocês estão vivenciando este momento de pandemia pelo COVID-19. Tal questão é importante para pensarmos sobre como será a volta ao estágio no momento em que as autoridades decretarem o retorno às aulas.
As respostas serão mantidas sob anonimato.
O questionário ficará disponível até o dia 15/06.

Este é o link do questionário para as alunas do estágio obrigatório:

Agradecemos a colaboração de todas!

Qualquer dúvida, estou à disposição.



Profª Letícia Santetti - (29/05/2020)

Queridas alunas e alunos do curso normal, em primeiro lugar, desejo que todas estejam bem e com saúde. Gostaria de dizer o quanto sinto saudade de estar com vocês, principalmente, de sentar em círculo (para resmungo de algumas) e trocarmos experiências, aprendendo umas com as outras. 
Encaminho para vocês uma entrevista que muito me encantou. Recomendo que alunas, alunos, professoras e professores assistam, independente do ano ou curso que se encontrem.

SITUAÇÃO POLÍTICA ATUAL X RACISMO X PANDEMIA (link abaixo), uma reflexão direta, com uma linguagem simples e fraterna.
Espero que gostem e, caso desejem discutir a live e os assuntos por ela abordados, estarei esperando. Quem sabe sai uma reunião virtual sobre o tema?

Envio meu email para contato:
Abraços apertados!!! 

Live: RACISMO ESTRUTURAL - DJAMILA RIBEIRO E SILVIO ALMEIDA



sexta-feira, 29 de maio de 2020


Professor Flávio Lunardi - (29/05/2020)


 Uma narrativa, com seus personagens, conflito e resolução de conflito, metaforiza os conflitos do mundo real.Essa história que você vai ler foi escrita por Sylvia Orthof em 1985, mas, como é uma história metafórica, podemos relacioná-la ao nosso momento atual de pandemia, que provocou uma grande transformação na nossa forma de pensar, agir e se relacionar. Fala-se, na mídia, de “novo normal”. A América do Sul, em particular o Brasil, está sendo um dos últimos lugares do mundo a sentir os impactos do novo coronavírus e também será um dos últimos a deixar para trás o momento crítico da pandemia. Já mudamos nossos hábitos diários e, em nosso cotidiano, o uso de álcool gel e de máscaras já está institucionalizado. 

Devido ao coronavírus, houve, então, mudanças diretamente dentro de nossas casas. Leia agora a história Mudanças no galinheiro,mudam as coisas por inteiro de Sylvia Orthof.
Mas, quem é Sylvia Orthof?
http://www.le.com.br/site/editorale/images/produtos/autores/sylvia-orthof.jpg

Sylvia Orthof nasceu em 1932, na cidade de Petrópolis, RJ. Fez parte da Escola de Arte Dramática do Teatro do Estudante. Começou a atuar no teatro aos 15 anos. Morou dois anos em Paris, onde fez cursos de mímica, desenho, pintura e arte dramática. Sylvia foi mãe de três filhos: Cláudia, Gê e Pedro. Ficou viúva e casou-se pela segunda vez com Tato, arquiteto e artista plástico que ilustrou muitos dos livros escritos por ela. Depois que começou a escrever livros para as crianças, Sylvia não parou mais, e, por suas histórias, recebeu diversos prêmios importantes. Para a tristeza da literatura infantil, Sylvia Orthof morreu no dia 24 de julho de 1997. Suas histórias, porém, continuam bem vivas, alegrando e encantando crianças e adultos.



Agora, vamos à leitura clicando na imagem:



Veja algumas ilustrações do livro:

https://tse2.mm.bing.net/th?id=OIP.eIFULKwMZ-z2PiGDd7E8TQHaEK&pid=Api&P=0&w=280&h=158
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhgf0UFFBz0qqwIwbQf6wsEhw7ym5H-4f1U9fncpjpreDFK1a3EMvkXt8acC68aBltWtKdgSCLKyaFviJTHszTRmfgSHqJyI-u5LuQ8AOeQb9pFYoT5PJhMWeRSi7uiIdY1KRCdxDYXg/s1600/IMG_20170216_153923.jpg
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbtMx1rUG5_D6-f5CuS5lyFVV4HTifm_ddeotO5FrvthN2nCzQVCAn_z-r-ReWhZyVuH4WDVbsDbN7v7-8Cv9XtpU-8QwHlguqeJ2U3GtCdroOJEHWfJCyEDALCX590uipT5AYwNyCPA/s1600/IMG_20170216_153944.jpg

Com a chegada da Covide-19, nossa casa, nossa escola e nossa vida também se transformaram assim como houve “mudanças no galinheiro” que mudaram “as coisas por inteiro”. Assim, podemos fazer uma releitura dessa história à luz da pandemia. Gaúchos, segundo uma reportagem do Correio do Povo, de 24 de 05 de 2020, e que estão morando no exterior falaram sobre as mudanças pelas quais passaram. Leia alguns depoimentos:



“Máscara aqui é importante. Eles exigiam até na entrada do shopping. Se tu estivesses tomando algo com ela abaixada, pediam para você jogar fora e levantar a máscara. Então, isso foi muito importante e fez a diferença aqui”, acredita o ex-morador de Estância Velha, Mikael Patrick da Silva, 22 anos, que é analista de qualidade em couro de uma companhia na cidade de Quanzhou, na China,país onde tudo começou.



“Eu já não podia mais ir ao trabalho, minha filha não ia à escola, não tinha mais cinema, shows, piquenique no parque com os amigos. A vida mudou. Foi difícil trabalhar a aceitação dentro de mim. Tinha dias que chorava loucamente, outros sentava na sacada e não me movia por horas, sentindo o sol e vento no meu rosto. A parte mais complicada foi quando meu pai adoeceu, no interior do Rio Grande do Sul, e precisou ser hospitalizado em Porto Alegre e eu não tinha como sair daqui. Pânico,medo revolta. E depois aceitação”, conta Shanti, que é filha de gaúchos e mora na Holanda.




“Na primeira quinzena de março, a situação já estava se agravando na Itália e, em seguida, nos países mais próximos, como Espanha e França. No meu caso, ainda antes de ser declarado estado de emergência, a empresa mandou os funcionários para casa. Ainda estou em casa, mas em teletrabalhando. Em casa, tenho minha esposa, meu filho de 7 anos e minha sogra. Todos são considerados grupos de risco. Com isso, o distanciamento acabou sendo mais radical para mim e para eles. O estado de emergência foi encerrado apenas no início deste mês, mas desde que os casos se agravaram na Itália já passamos a tomar medidas de precaução, que ficaram ainda mais intensas na segunda quinzena de março”, relata o brasileiro, analista de dados, Marco Aurélio Ruas de Almeida, que mora em Portugal desde 2018.


Assim, qual é tarefa que você vai realizar?

Você vai escrever um pequeno texto, escolhendo uma das opções:

a)Escrever uma história de ficção, que se passa numa creche , após a abertura da instituição, neste período de coronavírus;
b) Escrever um relato pessoal, contanto sua experiência de vida e as mudanças que ocorreram no seu cotidiano.

Você pode enviar para o seguinte e-mail: flaviolunardi@uol.com.br

Bom trabalho e não se esqueçam de se cuidar!

Vamos sempre em busca de SOL:

O SOL

Jota Quest
Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada


E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou


https://tse3.mm.bing.net/th?id=OIP.7bvN0N-gMy-N2NLzq_KebgEsDG&pid=Api&P=0&w=229&h=153



Profª Vanessa Besestil - (29/05/2020)

Este artigo é de Yuval Noah Harari, historiador e escritor israelense, autor de livros como Sapiens: uma breve história da humanidade e Homo Deus: uma breve história do amanhã, em artigo publicado por The Financial Times, 24-03-2020, publicado na REVISTA IHU ON-LINE.

O mundo depois do coronavírus
Essa tempestade passará. Porém as decisões que tomarmos hoje mudarão nossa vida nos anos vindouros.
A humanidade hoje enfrenta uma crise global. Talvez a maior crise de nossa geração. As decisões que as pessoas e os governos tomarão nas próximas semanas provavelmente moldem o mundo nos anos vindouros. Não somente moldarão nossos sistemas de saúde, mas também nossa economia, nossa política e nossa cultura. Devemos atuar rápida e decididamente. Também devemos levar em conta as consequências do longo prazo de nossas ações. Quando escolhemos entre alternativas, não somente devemos nos perguntar como superar a ameaça imediata, mas também que tipo de mundo habitaremos assim que passar a tormenta. Sim, passará. A humanidade sobreviverá, a maioria de nós seguiremos vivos, porém habitaremos um mundo diferente.
Muitas medidas de emergência de curto prazo se tornarão em hábitos de vida. Essa é a natureza das emergências. Os processos históricos avançam rapidamente. Decisões que em tempos normais levam anos de deliberação se aprovam em questões de horas. Entram em serviço tecnologias imaturas e inclusive perigosas, porque os riscos de não fazer nada são maiores. Países inteiros servem como cobaias em experimentos sociais de grande escala. O que acontece quando todos trabalham em casa e se comunicam somente à distância? O que acontece quando escolas e universidades operam apenas online? Em tempos normais, governos, empresas e juntas educativas nunca aceitariam realizar tais experimentos. Porém, esses não são tempos normais.
Nesse momento de crise, enfrentamos duas opções muito importantes. A primeira, entre a vigilância totalitária e o empoderamento cidadão. A segunda, entre o isolamento nacionalista e a solidariedade global.

Vigilância sob a pele
Para deter a epidemia, populações inteiras devem cumprir certas diretrizes. Há duas principais maneiras de conseguir. Um método é que o governo vigie as pessoas e castigue aqueles que infringem as regras. Hoje, pela primeira vez na história da humanidade, a tecnologia torna possível vigiar a todos o tempo inteiro. Há cinquenta anos, a KGB não podia seguir 240 milhões de cidadãos soviéticos durante as 24 horas do dia nem conseguia processar efetivamente toda a informação que recolhia. A KGB dependia de agentes e analistas humanos, e não podia pôr um agente humano para seguir a todos os cidadãos. Porém agora, os governos podem confiar em sensores ubíquos e algoritmos poderosos em vez de espiões de carne e osso.
Na batalha contra a epidemia de coronavírus, alguns governos já usaram os novos instrumentos de vigilância. O caso mais notável é a China. Vigiando atentamente os smartphones das pessoas, usando centenas de milhões de câmeras de reconhecimento fácil e obrigando as pessoas a comprovar e informar sobre sua temperatura corporal e sua condição médica, as autoridades chinesas não somente podem identificar rapidamente portadores suspeitos de coronavírus, como também rastrear seus movimentos e identificar todos com quem tiveram contato. Uma variedade de aplicativos móveis advertem os cidadãos de sua proximidade a pacientes infectados.
Esse tipo de tecnologia não se limita ao Leste Asiático. O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, há pouco autorizou a Agência de Segurança de Israel a fazer uso de tecnologia de vigilância, normalmente reservada para combater terroristas, para rastrear pacientes com coronavírus. Quando o subcomitê parlamentar negou-se a autorizar a medida, Netanyahu a impôs com um “decreto de emergência”.
Se pode argumentar que não há nada novo nisso tudo. Nos últimos anos, tanto os governos como as corporações utilizaram tecnologias cada vez mais sofisticadas para rastrear, vigiar e manipular as pessoas. No entanto, se não somos cuidadosos, a epidemia poderia marcar um feito importante na história da vigilância. Não somente porque poderia normalizar o uso de instrumentos de vigilância massiva em países que até hoje os rechaçaram, mas ainda mais porque significa uma transição dramática da vigilância “sobre a pele” à vigilância “sob a pele”.
Até agora, quando se tocava com o dedo a tela de um smartphone e se dava um clique em um link, o governo queria saber exatamente onde se havia dado o clique. Porém, com o coronavírus, o interesse central mudou. Hoje o governo quer saber a temperatura do dedo e a pressão arterial sob a pele.

O bolo de emergência
Um dos problemas que enfrentamos ao determinar em que pé estamos na matéria de vigilância é que nenhum de nós sabe exatamente como estão nos vigiando e o que ocorrerá nos próximos anos. A tecnologia de vigilância se desenvolve em grande velocidade, e o que parecia ficção-científica há dez anos são hoje velhas notícias. Como experimento mental, considera um governo hipotético que exige que cada cidadão use um bracelete biométrico que monitora a temperatura corporal e a frequência cardíaca durante as 24 horas do dia. Os dados resultantes são atesourados e analisados por algoritmos do governo. Os algoritmos saberão que está doente inclusive antes de que você saiba, e também saberão onde esteve e com quem se encontrou. As cadeias de infeção também podem ser encurtadas drasticamente e inclusive rompê-las por completo. Tal sistema poderia deter a epidemia em questão de dias. Soa maravilhoso, não é?
O aspecto negativo é que, evidentemente, legitimaria um novo e aterrorizante sistema de vigilância. Se sabe, por exemplo, que cliquei em um link da Fox News e não em um da CNN, isso pode dizer algo sobre meus pontos de vista políticos e talvez inclusive sobre minha personalidade. Porém se pode controlar o que ocorre com a temperatura do meu corpo, a pressão arterial e a frequência cardíaca enquanto vejo um videoclipe, posso saber o que me faz rir, o que me faz chorar e o que me enfurece.
É essencial recordar que a ira, a alegria, o aborrecimento e o amor são fenômenos biológicos, assim como a febre e a tosse. A mesma tecnologia que identifica a tosse poderia identificar as risadas. Se as corporações e os governos começam a recoletar em massa nossos dados biométricos, podem chegar a nos conhecer muito melhor que nós mesmos, e não somente prever nossos sentimentos, mas também manipulá-los e nos vender o que quiserem, seja um produto ou um político. O monitoramento biométrico faria com que as táticas de hackeio de dados da Cambridge Analytica parecessem da Idade da Pedra. Imagina uma Coreia do Norte em 2030, quando cada cidadão tenha que usar um bracelete biométrico durante 24 horas por dia. Se alguém escuta um discurso do Grande Líder e o bracelete recolher os sinais reveladores de ira, estará acabado.
Se pode, evidentemente, estar a favor do monitoramento biométrico como uma medida temporal durante um estado de emergência. Que desaparecesse com o término da emergência. Porém as medidas temporais têm o feio hábito de sobreviver às emergências, em especial porque sempre há uma nova emergência surgindo no horizonte. Meu país de origem, Israel, por exemplo, declarou um estado de emergência durante sua Guerra de Independência de 1948, o que justificou uma série de medidas temporais, desde a censura de imprensa e o confisco de terras até regulações especiais para fazer tortas (não é piada). A Guerra de Independência foi vencida há muito tempo, porém Israel nunca declarou que a emergência havia terminado e não aboliu muitas das medidas “temporais” (o decreto de emergência sobre as tortas foi abolido misericordiosamente em 2011).
Inclusive quando as infecções por coronavírus se reduzirem a zero, alguns governos famintos de dados poderiam argumentar que necessitam manter os sistemas de monitoramento biométrico porque há uma nova onda de coronavírus, ou porque há uma nova estirpe de ebola na África central, ou porque... já se entende a ideia. Livrou-se de uma grande batalha nos últimos anos por nossa privacidade.
A crise do coronavírus poderia ser o ponto de inflexão da batalha. Quando se dá a possibilidade às pessoas de escolher entre privacidade e saúde, normalmente escolhem a saúde.

A polícia do sabão
Pedir ao povo que escolha entre privacidade e saúde é, de fato, a causa do problema. Porque essa é uma escolha falsa. Podemos e devemos desfrutar da privacidade e da saúde. Podemos escolher proteger nossa saúde e deter a epidemia de coronavírus, não estabelecendo regimes de vigilância totalitária, mas sim empoderando os cidadãos. Nas últimas semanas, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura organizaram alguns dos esforços mais exitosos para conter a epidemia de coronavírus. Ainda que esses países tenham utilizado algumas aplicações de rastreamento, basearam-se muito mais em provas generalizadas, em relatórios honestos e na cooperação voluntária de um público bem informado.
A vigilância centralizada e as sanções severas não são a única maneira de fazer com que as pessoas cumpram diretrizes que lhes beneficiem. Quando as pessoas se informam dos dados científicos, e quando as pessoas confiam em autoridades públicas que lhes informam esses dados, os cidadãos podem fazer o correto, inclusive sem um Big Brother que os vigie atentamente. Uma população motivada e bem informada costuma ser muito mais poderosa e efetiva que uma população ignorante e vigiada.
Considere, por exemplo, lavar as mãos com sabão. Esse foi um dos maiores avanços na higiene humana. Essa ação simples salva milhões de vidas a cada ano. Apesar de darmos por óbvio, somente no século XIX que os cientistas descobriram a importância de se lavar as mãos com sabão. Anteriormente, inclusive médicos e enfermeiros passavam de uma operação cirúrgica à seguinte, sem lavar as mãos. Hoje, bilhões de pessoas lavam as mãos todos os dias, não porque tenham medo da polícia do sabão, mas porque entendem os fatos. Lavo as mãos com sabão porque escutei falar de vírus e bactérias, entendo que esses pequenos organismos causam enfermidades e sei que o sabão pode eliminá-los.
Porém para conseguir esse nível de cumprimento e cooperação, necessita-se confiança. As pessoas necessitam confiar na ciência, confiar nas autoridades públicas e confiar nos meios de comunicação. Nos últimos anos, políticos irresponsáveis socavaram deliberadamente a confiança na ciência, nas autoridades públicas e nos meios de comunicação. Hoje, esses mesmos políticos irresponsáveis podem se ver tentados a tomar o caminho do autoritarismo, argumentando que não se pode confiar que o público fará o correto.
Normalmente, a confiança que foi erodindo durante anos não poderá ser reconstruída da noite para o dia. Porém esses não são tempos normais. Em um momento de crise, a maneira de pensar também pode mudar rapidamente. Podem ocorrer amargas disputas entre irmãos durantes anos, porém quando ocorrer uma emergência, de repente se descobre uma reserva oculta de confiança e amizade, e presta-se a ajuda mútua. Em vez de construir um regime de vigilância, não é demasiado tarde para reconstruir a confiança do povo na ciência, nas autoridades públicas e nos meios de comunicação. Definitivamente, também deveríamos usar novas tecnologias, porém essas tecnologias deveriam empoderar os cidadãos. Estou a favor de controlar a temperatura do meu corpo e minha pressão arterial, porém esses dados não se devem usar para criar um governo todo-poderoso. Em troca, esses dados devem permitir tomar decisões pessoais mais informadas, e também para que o governo seja responsável de suas ações.
Se poderia rastrear minha própria condição médica durante as 24 horas do dia, não apenas saberia se me tornei um perigo à saúde de outras pessoas, como também que hábitos contribuem para minha saúde. E se pudesse acessar e analisar estatísticas confiáveis sobre a propagação do coronavírus, poderia julgar se o governo está me dizendo a verdade e se está adotando as políticas adequadas para combater a epidemia. Sempre que o povo fale de vigilância, recorda que a mesma tecnologia de vigilância pode ser utilizada não somente pelos governos para vigiar as pessoas, mas também pelas pessoas para supervisionar os governos.
A epidemia do coronavírus é, portanto, uma grande prova de cidadania. Nos próximos dias, cada um de nós terá que escolher entre confiar em dados científicos e especialistas em atenção médica, ou em teorias conspiratórias infundadas e políticos interesseiros. Se não tomarmos a decisão correta, poderíamos estar renunciando a nossas liberdades mais apreciadas, pensando que esta é a única maneira de salvaguardar nossa saúde.
Necessitamos de um plano global
A segunda opção importante que enfrentamos é entre o isolamento nacionalista e a solidariedade global. A epidemia e a crise econômica resultante são problemas globais. Eles só podem ser efetivamente resolvidos através da cooperação global.
Em primeiro lugar, para vencer o vírus, precisamos compartilhar informações globais. Essa é a grande vantagem dos humanos sobre os vírus. Um coronavírus na China e um coronavírus nos Estados Unidos não podem trocar conselhos sobre como infectar seres humanos. Mas a China pode ensinar aos Estados Unidos muitas lições valiosas sobre o coronavírus e como tratá-lo. O que um médico italiano descobre em Milão logo de manhã pode muito bem salvar vidas em Teerã ao entardecer. Quando o governo do Reino Unido hesita entre várias políticas, pode receber conselhos de coreanos que já enfrentaram um dilema semelhante há um mês. Mas, para que isso aconteça, precisamos de um espírito de cooperação e confiança global.
Os países devem estar dispostos a compartilhar informações abertamente e a procurar humildemente conselhos, e devem poder confiar nos dados e nas ideias que recebem. Também precisamos de um esforço global para produzir e distribuir equipamentos médicos, especialmente kits de teste e máquinas respiratórias. Em vez de cada país tentar fazê-lo localmente e acumular qualquer equipamento que possa obter, um esforço global coordenado pode acelerar bastante a produção e garantir que o equipamento que salva vidas seja distribuído de maneira mais justa. Assim como os países nacionalizam as principais indústrias durante uma guerra, a guerra humana contra o coronavírus pode exigir que "humanizemos" as linhas de produção essenciais. Um país rico com poucos casos de coronavírus deve estar disposto a enviar o equipamento necessário a um país pobre com muitos casos, confiando que, se mais tarde precisar de ajuda, outros países lhe darão ajuda.
Poderíamos considerar um esforço global semelhante para agrupar a equipe médica. Os países menos afetados hoje podem enviar pessoal médico para as regiões mais afetadas do mundo, para ajudá-los em suas horas de necessidade e obter uma experiência valiosa. Mais tarde, se o centro da epidemia mudar, a ajuda poderá começar a fluir na direção oposta.
A cooperação global também é vitalmente necessária na frente econômica. Dada a natureza global da economia e das cadeias de suprimentos, se cada governo fizer suas próprias coisas sem considerar os outros, o resultado será um caos e uma crise cada vez mais profunda. Precisamos de um plano de ação global e precisamos dele rapidamente.
Outra necessidade é chegar a um acordo global sobre viagens. Suspender todas as viagens internacionais por meses causará grandes dificuldades e dificultará a guerra ao coronavírus. Os países devem cooperar para permitir que pelo menos um pequeno número de viajantes essenciais continue a atravessar fronteiras: cientistas, médicos, jornalistas, políticos e empresários. Isso pode ser alcançado através de um acordo global sobre a pré-seleção de viajantes por seu país de origem. Se for sabido que apenas viajantes cuidadosamente selecionados podem viajar de avião, estarão mais dispostos a aceitá-los em cada país.
Infelizmente, os países hoje dificilmente fazem essas coisas. Uma paralisia coletiva tomou conta da comunidade internacional. Parece não haver adultos na sala de controle. Por semanas, esperava-se que houvesse uma reunião de emergência dos líderes mundiais para desenvolver um plano de ação comum. Os líderes do G7 conseguiram organizar uma videoconferência apenas nesta semana, e nenhum plano foi alcançado.
Em crises globais anteriores, como a crise financeira de 2008 e a epidemia de Ebola de 2014, os Estados Unidos assumiram o papel de líder mundial. Mas o atual governo dos EUA abdicou da tarefa de líder. Ele deixou bem claro que se importa muito mais com a grandeza dos Estados Unidos do que com o futuro da humanidade.
Este governo abandonou até seus aliados mais próximos. Quando ele proibiu todas as viagens da União Europeia, nem se deu ao trabalho de notificá-los com antecedência, sem falar, nem consultar a União Europeia sobre esse movimento drástico. Ele escandalizou a Alemanha quando supostamente ofereceu a uma empresa farmacêutica alemã um bilhão de dólares para lhe comprar os direitos de monopólio de uma nova vacina Covid-19. Mesmo que o governo atual eventualmente mude de rumo e proponha um plano de ação global, poucos seguiriam um líder que nunca assume responsabilidade, que nunca admite erros e que geralmente leva todo o crédito para si mesmo enquanto coloca toda a culpa nos outros....
Se outros países não preencherem o vazio que os Estados Unidos deixaram, não só será muito mais difícil interromper a epidemia atual, como seu legado continuará envenenando as relações internacionais nos próximos anos. No entanto, toda crise também é uma oportunidade. Esperamos que a epidemia atual ajude a humanidade a entender o grave perigo da desunião global.
A humanidade precisa tomar uma decisão. Seguiremos o caminho da desunião ou seguiremos o caminho da solidariedade global? Se escolhermos a desunião, a crise não apenas permanecerá, mas provavelmente causará catástrofes ainda piores no futuro. Se escolhermos a solidariedade global, será uma vitória, não apenas contra o coronavírus, mas contra todas as futuras epidemias e crises que a humanidade possa enfrentar no século XXI.



Trabalho avaliativo
Faça um resumo do artigo

Faça uma primeira leitura atenciosa do texto, a fim de saber o assunto geral dele;
- Depois, leia o texto por parágrafos, sublinhando as palavras-chaves para serem a base do resumo;
- Logo após, faça o resumo dos parágrafos, baseando-se nas palavras-chaves já destacadas anteriormente;
- Releia o seu texto à medida que for escrevendo para verificar se as ideias estão claras e sequenciais, ou seja, coerentes e coesas.
- Ao final, faça um resumo geral deste primeiro resumo dos parágrafos e verifique se não está faltando nenhuma informação ou sobrando alguma;
- Por fim, analise se os conceitos apresentados estão de acordo com a opinião do autor, porque não cabem no resumo comentários pessoais.

  • Faça um comentário crítico

O comentário é um conjunto de observações que uma pessoa pode fazer sobre um determinado fato, assunto ou acontecimento.
Estas observações funcionam como um parecer ou uma análise mais técnica ou crítica que alguém faz sobre um assunto. Mas elas também podem ser feitas com base em interpretações próprias acerca do tema, ou seja, comentários opinativos. .
O comentário também pode conter dados inéditos ou indicações sobre um tópico relacionado aquele assunto em questão.
O objetivo do comentário é propor uma resposta ou gerar uma interação entre as pessoas envolvidas. Ele então pode ser feito através da fala ou de maneira escrita.
Com a criação das redes sociais na internet, os comentários conseguem ser transmitidos com grande facilidade entre seus emissores e receptores, o que aumenta a frequência dos retornos (feedbacks) entre os produtores de conteúdo e os seus leitores.

Isso também provoca um fenômeno que atribui um novo significado ao comentário: o de tecer observações pejorativas sobre uma pessoa ou um assunto.



Profª Vanessa Besestil (29/05/2020)
Oi pessoal estou propondo para vocês a leitura do texto abaixo e no final tem algumas questões/atividades para vocês. Aproveitem.


Quais os efeitos da pandemia no desenvolvimento infantil

Pesquisa do Núcleo Ciência pela Infância aborda os impactos da crise do novo coronavírus na saúde mental de crianças
Além dos riscos para a saúde física ocasionados pela covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, a pandemia traz uma série de impactos negativos para a saúde mental.
O medo e a incerteza em relação à crise sanitária, bem como a mudança brusca na rotina causada pelas medidas de isolamento social, podem levar a uma incidência maior de ansiedade e estresse em pessoas de todas as idades.
Um novo artigo do Núcleo Ciência Pela Infância explora os efeitos do estresse causado pela pandemia no desenvolvimento infantil. O grupo é formado por pesquisadores da área médica, da psicologia, da economia, da pedagogia e da administração pública, vindos de instituições como a Universidade de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de Harvard, nos EUA.
Saúde mental e convívio
Todos os efeitos que se fazem presentes no desenvolvimento infantil, segundo os pesquisadores, surgem a partir do estresse derivado da própria pandemia – que por si só traz muitas incertezas – e também das medidas de distanciamento social instituídas para frear a propagação do vírus.
Um estudo feito na China, que teve participação de 320 crianças e adolescentes, aponta que a dependência exagerada dos pais e falta de atenção são os principais problemas reportados por participantes em meio à pandemia.
IMPACTO NA SAÚDE MENTAL

Além dos impactos sentidos de maneira individual, o artigo destaca que o estresse também pode surgir de situações de convívio familiar que são acentuadas pela pandemia.
Entre março e abril, houve um aumento de quase 20% nos casos de violência doméstica no estado de São Paulo, em comparação ao mesmo período no ano de 2019. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública.
Os efeitos da violência doméstica no desenvolvimento infantil são múltiplos. Nas grávidas, a violência pode comprometer o desenvolvimento do feto.
Em crianças, a situação pode acarretar no estresse tóxico, que ocorre quando há uma série de adversidades constantes, espalhadas em um longo período, sem o suporte de adultos. O resultado pode ser a interrupção do desenvolvimento saudável do cérebro, o que leva a mudanças bruscas no comportamento, diminuição da imunidade, ansiedade e depressão.
Também existem efeitos decorrentes do fechamento das escolas. Para crianças de famílias vulneráveis economicamente, a interrupção da aula significa a falta de acesso à merenda, que muitas vezes é a principal refeição do dia.
Do ponto de vista pedagógico, há prejuízo no aprendizado das crianças de primeira infância, já que nessa fase os alunos precisam de experiências concretas e interativas para consolidar o conhecimento, e aulas digitais não seriam suficientes para isso.
Sem aulas, as crianças passam mais tempo em casa e podem ser expostas mais facilmente à violência e à negligência familiar. A convivência prolongada, de 24 horas por dia, sete dias por semana, sem o apoio do ambiente escolar, pode ser o estopim para acentuar casos de depressão materna.
Para além disso tudo, há também o cenário econômico. A pandemia interrompeu a renda de cerca de 2 milhões de brasileiros, e as dificuldades financeiras podem retroalimentar todo o ciclo de estresse e problemas que surgem no âmbito do convívio familiar.
As recomendações para driblar os efeitos
De acordo com o artigo, crianças e adultos lidam com o estresse por meio de três mecanismos: autonomia para agir diante da fonte de tensão, sensação de controle e senso de pertencimento ao grupo do qual faz parte.
A partir disso, os pesquisadores traçam uma série de recomendações para lidar com os efeitos da pandemia nos pequenos.
A principal é estabelecer uma rotina de atividades, que estruturam o dia e permitem a formação de laços entre pais e filhos. Leitura, desenho, jogos, brincadeiras e auxílio nas tarefas domésticas são algumas delas. Elogios também são recomendados, como forma de recompensa pelas boas atitudes.
Também é recomendável que os pais possibilitem a manutenção dos laços afetivos dos filhos com amigos e outros familiares, por meio de encontros virtuais.
Em situações de tensão, a recomendação é o diálogo, com os pais buscando entender por que a criança teve reações como birras e manha, conversando de forma a tranquilizá-la.
“A criança é um ser que filtra as informações de seu contexto, construindo sua trajetória psicológica”, afirma o texto. “Assim, em um meio de tensão, é esperado que a criança esteja sensível, com comportamentos diferentes dos habituais e faça muitas perguntas, pois sua tranquilidade para pensar, realizar tarefas e lidar com sentimentos está modificada”.
Link para matéria: 
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/05/11/Quais-os-efeitos-da-pandemia-no-desenvolvimento-infantil

Atividades

  • Com base no texto acima, reflita quais são as perspectivas que podemos ter em relação a volta às aulas na Educação Infantil.
  • Com base no gráfico sobre os principais efeitos do coronavírus na vida das crianças, organize alguns tópicos sobre o impacto na criança brasileira, ou seja, nossos alunos e familiares.
  • Agora, crie o seu próprio gráfico. Converse com as pessoas próximas, as quais estás tendo contato tanto pessoalmente como virtualmente, e as questione sobre os impactos da pandemia em suas vidas. Vocês podem fazer só uma pergunta: Qual o impacto do coronavírus em sua vida? Anote o número de pessoas (no mínimo 30) e faça o gráfico.

Com base no resultado do gráfico, reflita sobre os resultados e escreva um parágrafo sobre isso.